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Era ainda espaço de jogo e lazer onde se
partilhavam histórias de amores e desamores com as
banhistas e com as "cámones", contavam-se
anedotas, e comentava-se a vida alheia, ao jeito das
antigas cantigas de escárnio e maldizer.
No tempo das armações (anos 40, 50 e 60), no
Charrinho também se chegou a vender leite,
apetrechos de pesca, roupa.
As gerações mais velhas e em especial os
pescadores lembram-se dos momentos de alegria
vividos em torno da mesa durante os jogos de cartas
e do "Não T'irrites". Os jogos eram em
regra. acompanhados por uns copitos de tinto ou
branco, e por umas saborosas tiras de choco frito,
no prato ou no pão.
Mas o Charrinho era principalmente, um café de um
grande amigo de todos. O do Carlos Charrinho, homem
para quem os clientes eram quase família e estava
sempre disponível para ajudar quando necessário.
No ano do tristemente famoso Ciclone e nos tempos de
vendavais que fustigavam Sesimbra durante dias e
dias, aqui se concentravam pescadores à espera de
melhores dias. As agruras da vida também tinham no
Modesto, um bom confidente.
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